Num primeiro momento, o principal impacto será a alta definição de
imagens e som. A qualidade da imagem será melhor que a de um DVD. Com o
tempo, outras funcionalidades devem ganhar força: a “mobilidade” e a
“portabilidade” (possibilidade de ver TV em carros, notebooks e
celulares, por exemplo), a "multiprogramação” (recepção de mais de um
programa no mesmo canal) e a “interatividade” (possibilidade de
participar dos programas e fazer compras diretamente pela TV).
A transmissão digital é gratuita, mas só estará disponível para quem
comprar um conversor digital (também chamado de set-top box). Nos
próximos meses, muitos fabricantes venderão TVs já prontas para receber
o sinal, com os set-top boxes integrados.
Para os telespectadores, os números usados para sintonizar os canais
atuais (analógicos, em geral transmitidos em VHF) não mudam. Mas cada
emissora terá um novo canal em UHF para a transmissão digital. Por
isso, para receber o novo sinal, será necessário comprar uma antena
UHF.
Apesar de os canais terem números diferentes nessas faixas (em São
Paulo, a TV Globo, canal 5 no VHF, será o canal 18 em UHF), os
conversores serão programados para "entender" seus usuários. Assim,
sempre que o telespectador digitar o número 5, o set-top box se
conectará à TV Globo no formato digital (canal 18) – essa função que
dispensa a necessidade de decorar novos números é chamada de canal
virtual. Os números dos canais, tanto em VHF quanto em UHF, podem variar de acordo com a região do país.
A nova tecnologia também mudará o jeito de ver TV. A distância até a
televisão, por exemplo, deve ser 3 vezes a altura da tela, recomendam
especialistas. Uma TV LCD de 32’’ pede uma distância de 3 metros – a de
70’’, 6 metros. O formato da transmissão digital é de 16:9 (mais largo
que o modelo convencional, de 4:3), aumentando o campo de visão do
telespectador e, conseqüentemente, a sensação de imersão (veja dicas
para assistir à TV digital).
A transmissão digital, incluindo alta definição, mobilidade e
interatividade, estará disponível para os canais abertos. A TV a cabo
já opera parcialmente no ambiente digital, mas ainda tem barreiras a
vencer quando se fala em alta definição.
Quem
não quiser aderir agora à TV Digital terá tempo. O fim das transmissões
analógicas só está marcado para 29 de junho de 2016.
"A curva de penetração da nova tecnologia, como de qualquer outra, pode
ser lenta: depende muito do mercado e da competitividade. É certo, no
entanto, que o preço dos dispositivos começa alto, mas depois cai
vertiginosamente", acredita Carlos Fini, gerente de manutenção e
tecnologia da TV Globo de São Paulo.
A Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos (Eletros)
estima em R$ 700 o preço dos conversores digitais. Se quiser o melhor
proveito possível da alta definição, o usuário precisará comprar um
aparelho de TV com tecnologia Full HD, geralmente mais caro que os
tradicionais.
Por conta da necessidade de investimento no conversor e possivelmente
num aparelho de TV, é possível que a “portabilidade” e a “mobilidade”
representem os primeiros grandes impactos causados pela TV digital no
Brasil.
Na
estréia das transmissões digitais no país, os consumidores poderão
acompanhar os programas em televisores portáteis adaptados ao padrão
brasileiro. Já os usuários de telefones celulares terão de esperar um
pouco mais até que possam comprar no Brasil aparelhos adaptados,
capazes de receber a programação da TV digital. A previsão para o
início das vendas desses celulares é o primeiro semestre de 2008.
A soma do gasto nesses equipamentos portáteis pode ser menor do que a
compra de um aparelho normal de TV adaptado ao sinal digital.
Se a ansiedade for grande, é bom lembrar que eletrônicos adquiridos no
exterior não poderão receber a transmissão no Brasil. Por conta das
adaptações feitas para a criação do Sistema Brasileiro de TV Digital
Terrestre (SBTVD-T), o conversor digital é específico para o país.
Outra funcionalidade que ainda está em discussão é a multiprogramação.
A idéia de usar um único canal UHF para transmitir mais de um programa
pode não ser economicamente viável para as emissoras, que teriam de
investir mais na produção de conteúdo digital. Já a interatividade, que
funciona como um diferencial na programação, será explorada pelas
emissoras assim que os set-top box estiverem adaptados para essa
funcionalidade.
“Na estréia da TV digital, o foco estará voltado à qualidade de som e imagem", disse ao G1 José Marcelo Amaral, vice-coordenador do módulo de mercado do Fórum Brasileiro de TV Digital e diretor de tecnologia da Record.
Na
nova forma de transmissão, as imagens são mais nítidas, sem ruídos ou
interferências, pois não há perda de sinal da antena até a recepção
doméstica. O conteúdo é transmitido em pacotes binários (de “0” e “1”,
como na informática) e chega ao aparelho de TV das residências
exatamente como foi transmitido pela emissora. Outro aliado da alta
definição é o formato 16:9, padrão no cinema, que oferece um campo de
visão maior que o padrão 4:3, comum nos televisores analógicos.
Imagens mais fiéis, com alta qualidade, significam um nível de detalhes
mais preciso. Por isso, cenários, figurinos e maquiagens dos programas
gravados em alta definição precisam ser revistos para que os defeitos,
antes imperceptíveis ao público, não prejudiquem a qualidade dos
programas.
Quando começa a TV digital?
A TV digital será lançada oficialmente na grande São Paulo no dia 2 de
dezembro. Depois disso, essa nova tecnologia de transmissão vai se
expandir para outras regiões do país. De acordo com o Fórum Brasileiro
de TV Digital, até 2013 a novidade deve estar disponível em todo o
Brasil. A previsão é que, no semestre que vem, esteja disponível também
no Rio de Janeiro.
O que muda com a TV digital?
As principais mudanças trazidas por essa novidade são imagem e som de
maior qualidade, além de mobilidade, portabilidade, multiprogramação e
também a possibilidade de o telespectador interagir com os programas da
TV. Saiba mais.
A TV digital é gratuita?
Sim, essa forma de transmissão é gratuita. Porém, para acessar os
canais em alta definição, é necessário ter um conversor digital
(set-top box) ou uma TV já adaptada e uma antena UHF. Para obter a
melhor qualidade das imagens de alta definição, também é preciso ter um
aparelho de TV com tecnologia Full HD (1.920 x 1.080).
Quanto se gasta para comprar esses equipamentos?
Depende do nível de qualidade desejado. O gasto pode ficar entre R$ 100
(se o governo atingir seu objetivo de reduzir os preços) e R$ 800, na
compra do conversor digital. Se o usuário preferir qualidade digital em
TV de plasma ou LCD, gastará de R$ 2 mil a R$ 270 mil. TVs modernas,
com o receptor digital integrado, devem ter preço de 10% a 15% maior
que os modelos correspondentes sem o receptor. Com o tempo, os preços
devem diminuir.
Serei obrigado a migrar para a TV digital?
Não, pelo menos nos próximos anos. De acordo com o decreto 5.280 (29 de
junho de 2006), a transmissão analógica só deve deixar de existir em 29
de junho de 2016. Até lá, os telespectadores poderão continuar
assistindo à TV com transmissão analógica.
Vou poder gravar a programação?
Sim, mas o usuário estará sujeito às leis de direitos autorais e às regras dos detentores de conteúdo.
A TV digital também vai transmitir programas antigos?
Sim. Os canais transmitidos digitalmente terão exatamente a mesma grade
de programação que as suas versões transmitidas de forma analógica — a
imagem das “velharias” também será melhor na TV digital, pois ela
elimina sombras e interferências que ocorrem durante a transmissão da
emissora para as residências. Os programas já produzidos para a TV de
alta definição terão melhor qualidade que os demais.
Essa nova forma de transmissão está disponível para canais a cabo?
Não, porque tratam-se de meios diferentes: a TV digital trafega pelo
ar, enquanto a outra trafega por cabos espalhados pela cidade.
Todas as funcionalidades da TV digital estarão disponíveis na estréia?
No início, a transmissão digital no Brasil terá como foco som e imagem
digitais. Também na época da estréia, será possível assistir à TV em
dispositivos portáteis, assim que colocados à venda no mercado. Depois,
com o passar do tempo, a interatividade deve ganhar força.
O que é mobilidade?
Mobilidade é a transmissão digital para televisores portáteis, como por exemplo aqueles utilizados em veículos.
O que é portabilidade?
Portabilidade é a transmissão digital para dispositivos pessoais, como PDAS e celulares.
Como será a interatividade?
As
possibilidades são inúmeras. Com o controle remoto, por exemplo, os
usuários poderão votar, responder a testes, acessar mais informações
sobre os programas e, futuramente, até comprar produtos anunciados na
televisão. Tudo será feito por meio de um sistema desenvolvido no
Brasil, o Ginga, que possivelmente não estará disponível nos primeiros
conversores. Por isso, as possibilidades de interação devem estar
disponíveis pouco depois da estréia da TV digital.
O que é multiprogramação?
É a possibilidade de as emissoras transmitirem mais de um programa
simultaneamente – ou até mesmo ângulos de câmera diferentes em um jogo
de futebol. Isso dá às emissoras flexibilidade para explorar desde alta
definição até vários programas dentro de um mesmo canal.
Quais as especificidades do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD-T)?
O padrão brasileiro para a transmissão de imagens tem como base o
padrão japonês, que viabiliza a mobilidade, portabilidade e alta
definição. As principais adaptações do modelo nacional estão ligadas ao
tipo de compressão dos arquivos (H264) e ao desenvolvimento de um
sistema de interatividade próprio (Ginga).
A tecnologia de compressão de arquivos adotada pelo Brasil, chamada
H264, consegue enviar maior quantidade de dados que o modelo japonês
(MPEG2) sem aumentar o tamanho do arquivo. Isso resulta em conteúdo de
maior qualidade com a mesma velocidade de transmissão de dados.
Outra mudança do padrão brasileiro é a adoção do Ginga, sistema de
interatividade nacional desenvolvido em parceria pela Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pela Universidade
Federal da Paraíba (UFPB).
Posso comprar no exterior um equipamento para assistir à TV digital no Brasil?
Não. O sistema de TV digital adotado será exclusivo do Brasil. Por
isso, os equipamentos comprados no exterior não vão funcionar por aqui,
a não ser que sejam fabricados no exterior de acordo com as
especificações brasileiras. Essa restrição vale para televisores
portáteis, telefones celulares, conversores digitais e aparelhos de TV
com conversor integrado.
Como faço para acessar a TV digital?
É necessário adquirir um conversor digital e ter também uma antena UHF.
As emissoras de São Paulo, que realizam a transmissão analógica em VHF,
terão também canais UHF para a transmissão digital. Graças a uma função
chamada “canal virtual”, não será necessário decorar novos números: ao
digitar 5, por exemplo, o conversor sintonizará a TV Globo transmitida
digitalmente (na realidade, correspondente ao canal 18 no UHF).
Vou precisar de um aparelho novo para ver a TV digital?
Provavelmente, não. Quase todos os aparelhos fabricados nos últimos
anos têm entradas para áudio e vídeo, que são necessárias para o
funcionamento do set-top box (conversor). No entanto, a qualidade das
imagens varia. Se quiser tirar o melhor proveito da alta definição
oferecida pela TV digital, é necessário ter uma televisão com
tecnologia Full HD.
A TV digital muda o formato dos programas?
Sim. Isso acontece porque os programas gravados e transmitidos em alta
definição têm formato 16:9 (relação entre largura e altura da tela),
como acontece no cinema. Na transmissão analógica, o formato é mais
quadrado: 4:3. Com a TV digital, será possível ver mais áreas de uma
cena nos televisores modernos – assim, as emissoras terão de se
preocupar com o que aparece nas áreas laterais, que antes não eram
exibidas.
Como vou assistir a programas no formato 16:9 em telas 4:3 e vice-versa?
Se não quiser distorcer as imagens, a solução será o uso de faixas
pretas nos cantos da tela, pois programas em alta definição (formato
16:9) terão como alvo os aparelhos de TV com “tela de cinema” (também
16:9). Quando um programa antigo (4:3) for exibido em uma TV moderna
(16:9), as faixas pretas ficarão nas laterais. Quando um programa em
alta definição (16:9) for exibido em uma TV antiga (4:3), as faixas
aparecerão em cima e embaixo da tela. Todas essas opções dependerão das
funções disponíveis no aparelho de TV utilizado para recepção.
O som dos programas vai mudar com a TV digital?
Sim, porque os arquivos digitais de música não perdem qualidade durante
a transmissão. Além disso, os telespectadores que tiverem home theaters
em suas casas poderão usar sistema de som com áudio em 5.1 para
assistir a programas de TV produzidos em alta definição, assim como já
acontece com os DVDs.
