Nos primeiros 08 capítulos Marcos relata 14 milagres de Jesus (1,21-27; 1,29-30; 1,40-45; 2,1-12; 3,1-6; 4,35-41; 5,1-17; 5,21-43; 6,30-44; 7,24-30; 7,31-37; 8,1-10; 8,22-26). O primeiro e o último estão relacionados com a identidade de Jesus. No primeiro milagre, realizado em um sábado na sinagoga de Cafarnaum, Jesus expulsou um espírito impuro que gritava revelando sua identidade: “Sei quem tu és: o Santo de Deus” (1,21-27).
No último milagre, Jesus cura um cego (8,22-26). Este milagre é feito em duas etapas: Jesus colocou saliva nos olhos do cego e lhe impôs as mãos. Mas ele não ficou totalmente curado. Via as pessoas como se fossem árvores andando (8,24). Só enxergou claramente quando Jesus tocou-lhe os olhos novamente. Esse cego anônimo é uma figura daqueles que não conseguem ver claramente a verdadeira identidade de Jesus. O cego confunde pessoas e árvores. Os judeus confundem Jesus com João Batista, com Elias ou com qualquer um dos profetas (8,28).
Marcos, com isso, quer ressaltar que enquanto os demônios sabem quem é Jesus, os homens o confundem com outras pessoas. São cegos espiritualmente e precisam ser curados. Mesmo Pedro, que responde acertadamente à pergunta de Jesus, declarando: “Tu és o Cristo”, é cego, pois logo a seguir se opôs abertamente à viagem para Jerusalém onde Jesus seria morto. Jesus diz que mesmo Pedro “não pensava as coisas de Deus, mas as dos homens” (8,33).
Marcos, na primeira parte de seu evangelho, procura levar seus leitores a descobrir a verdadeira identidade de Jesus. Vendo seus milagres, ouvindo as opiniões a seu respeito, cada um é convidado a responder a esta pergunta central: quem é Jesus para você? Pe. Ronaldo Sabino
