Vivemos num exagero de conceitos míticos, místicos e religiosos. As Igrejas nunca estiveram tão cheias como na atualidade. E tudo isso por conta do que chamamos de teologia da retribuição.
São inúmeras as Igrejas que oferecem ao povo comodismo financeiro, amoroso e curativo, ou seja, curas milagrosas, mas tudo isso dentro de um contexto individualista onde a vivencia comunitária não existe, e muito menos o Anúncio do Evangelho, da Boa Nova. Deus se tornou para algumas igrejas que se dizem cristãs, instrumento que realizam desejos pessoais, ou seja, eu busco a igreja pelo que ela pode me oferecer, mas sem compromisso algum, e se ela não me oferece o que eu quero, de acordo com os meus desejos e caprichos, parto para outras que poderão satisfazer as minhas necessidades pessoais. Com isso é fácil percebermos que a grande preocupação de algumas igrejas vem do desejo de mudança do padrão de vida, ou, do desejo de mudanças mágicas, imediatas.
Tudo isto que esta sendo vivenciado por nós nos dias de hoje, nos encaminham para uma crise comunitária. Tudo o que aprendemos com os Primeiros Cristãos (At 4,32-37) ficam para trás como mera lembrança de um tempo que se passou.
É neste momento que nasce a necessidade da missão. Missão entendida como sair de si e ir ao encontro do outro para juntos formarmos comunidade, da qual Cristo é a cabeça e nós somos os seus membros (Cor 12,12-13).
A verdadeira Igreja é aquela que crê no único Deus, criador de todas as coisas, e seguindo os passos de Cristo e auxiliada pelo Espírito Santo, vivencia em comunidade as tristezas e as alegrias de todo povo, procurando através da unidade, festejar as alegrias, partilhar os sofrimentos e denunciar as injustiças, Assim sendo, podemos afirmar com toda a convicção: “A pessoa amada por Deus se descobre na comunidade, e para um cristão, fora da comunidade não há salvação”.