Informática

"Este é meu último discurso de abertura. Em julho deixarei de ser um
funcionário em tempo integral da Microsoft para trabalhar totalmente
para a Fundação [Bill e Melinda Gates]", assinalou em seu discurso de
abertura da CES 2008.

Paul Sakuma/AP
"Este é meu último discurso de abertura", disse Bill Gates, em Las Vegas
"Este é meu último discurso de abertura", disse Bill Gates, em Las Vegas

Gates já tinha anunciado que em julho deixaria de forma efetiva
todos os trabalhos de gestão da Microsoft para concentrar-se em suas
tarefas filantrópicas através da Fundação Bill e Melinda Gates.

Durante seu discurso, o magnata qualificou os últimos 10 anos como a
"primeira década digital", e disse que o período viveu um grande
sucesso tanto no desenvolvimento de aparelhos como em suas aplicações.

"Nada vai nos segurar na segunda década digital, que estará mais
focada em conectar pessoas e nas necessidades do usuário", afirmou.

Gates disse que haverá três elementos-chave na nova década digital.
O primeiro foi definido por ele como "experiências em alta definição",
tanto de vídeo como de áudio.

O segundo elemento citado por Gates foi que todos os aparelhos
eletrônicos "estarão conectados por serviços", o que permitirá
compartilhar a informação entre uma multidão de usuários sem a
necessidade de estabelecer pontes entre os aparelhos eletrônicos.

E o terceiro elemento, que Gates qualificou como "o mais
subestimado", são as novas formas de interação com computadores,
telefones e outros aparelhos eletrônicos.

Implicações

Os discursos que Gates pronunciou na CES serviram para que o fundador da Microsoft mostrasse sua visão do futuro para o setor.

Steve Marcus/Reuters
Aparelho Parrot SK4000 tem Bluetooth que possibilita aos motociclistas ativar comandos por voz, deixando as mãos livres
Aparelho Parrot SK4000 tem Bluetooth que possibilita aos motociclistas ativar comandos por voz, deixando as mãos livres

Quando Gates abandonar suas responsabilidades diárias à frente da
companhia, para dedicar mais tempo a trabalhos filantrópicos, sua
influência na direção do gigante da informática diminuirá de forma
significativa.

A futura ausência de Gates terá implicações positivas e negativas, como muitos analistas do setor já comentaram.

Alguns dos ousados diagnósticos que Gates fez em edições passadas do
CES nunca chegaram a se cumprir, como um mundo dominado pelo Tablet PC
(computador pessoal com o formato de um laptop ou prancheta, que pode
ser acessado com o toque de uma caneta especial) ou o desaparecimento
dos spam em 2006.

Por outro lado, o fundador da Microsoft teve mais sorte ao anunciar
a presença quase onipresente de computadores na vida moderna graças a
sua fusão com produtos eletrônicos.

Mas nem sempre os acertos de Gates se traduziram em sucessos para a
Microsoft, como no terreno dos videogames, da música digital e dos
smartphones, onde outras empresas foram capazes de lucrar mais.

A ausência de Gates na abertura dos próximos CES abrirá as portas
para outros visionários, como Steve Jobs, da Apple, e que triunfou nos
campos onde a Microsoft falhou, com o iPod e o iPhone.

Com ou sem Gates, a CES continuará sendo uma das principais vitrines
mundiais da eletrônica de consumo, o lugar eleito por centenas de
empresas para antecipar as tendências de 2008.

Feira

Steve Marcus/Reuters
Caixa Vudu, com 250 Gbytes, permite ao usuário baixar filmes e programas da TV para assisti-los em alta definição na TV
Caixa Vudu, com 250 Gbytes, permite ao usuário baixar filmes e programas da TV para assisti-los em alta definição na TV

Embora com 27 mil produtos na feira, que deve ser visitada por quase
150 mil pessoas dos dias 7 a 10 de janeiro, é difícil afirmar quais
"gadgets" ganharão o interesse do público nos próximos meses. Algumas
tecnologias estão recebendo grandes investimentos de capital e atenção.

Por exemplo, neste ano há um claro destaque dos telefones de tela
sensível ao toque –que seguem a tendência do iPhone–, da televisão de
alta definição (HD) com conexão sem fio e das telas gigantes de cristal
líquido.

Além disso, a combinação de várias destas tecnologias, como a tela
sensível ao toque de 52 polegadas que a Philips LG levou para Las
Vegas.

Agora que está claro que a batalha das televisões de alta definição
foi vencida pelas telas de cristal líquido, cujas vendas deixaram para
trás as TVs de projeção traseira e de plasma, os fabricantes estão se
preparando para a tecnologia do futuro, as telas de diodo orgânico
emissor de luz.

A tecnologia também é conhecida como Oled, sigla para Organic
Light-Emitting Diode ou diodo orgânico emissor de luz, e proporciona
telas mais finas e flexíveis, que por sua vez oferecem uma grande
redução do consumo de energia. Mas por enquanto a tela Oled, que estará
presente na CES, é pequena e extremamente cara.

 

FONTE: da folha online 

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